segunda-feira, 24 de abril de 2023

Resenha: SANTANA, filme Angolano.

SANTANA é um filme de direção e roteiro misto, fruto de uma boa cooperação entre cineastas sul africanos e angolanos, de acordo com a ficha técnica da netflix.


A narrativa do filme é simples "entre aspas"; conta a estória de dois irmãos (um comandante da DNIC e um General das forças armadas) que durante uma operação de apreensão de drogas, descobrem que um dos cabessários dessa rede de produção e distribuição de narcóticos é responsável pelo homicídio dos pais dos personagens logo no princípio do filme, nas primeiras cenas.

O filme deixa de ser sobre investigação policial e toma um rumo de personal vendetta (vingança).

O filme tem Angola e África do Sul como palco dos acontecimentos, principalmente em Angola por causa da naturalidade dos personagens principais.


Comparando com os demais filmes angolanos, Santana é um filme que quer fazer a diferença e por acaso faz. Dá pra sentir tais diferenças na tonalidade e no seu aspecto visual, foi muito bem filmado e captado. Mesmo na edição, captação e trilha sonora, tive a impressão de que estava mesmo a ver um filme e não apenas umas cenas aleatórias amontoadas e coladas com fita adesiva. Provavelmente porque os cineastas tiveram acesso à um bom orçamento e puderam trabalhar com excelentes profissionais, dotados de boas qualidades técnicas.


Mas, infelizmente, apesar do bom orçamento, senti que o filme teve muitos problemas de autodefinição e desrespeitou muito o senso crítico da audiência. A performance dos actores estrangeiros foi abismalmente diferente que a dos actores angolanos. (Eu vi uma entrevista em tempos de uma atriz brasileira, e ela disse que um actor deve se despir completamente de si mesmo para se tornar no personagem. Eu juro que não aconteceu completamente isso com nossos actores, não houve essa entrega total na representação. Mas ao menos não foi aquele dIsplay teatral que estamos acostumados.)

Okay, vou tocar agora num ponto que é a identidade e a construção de personagens, o filme peca muito nesse quesito - temos um general e um comandante que estão sempre presentes em cenários que entra em conflito com suas realidades laborais, sociais e políticas - pessoalmente achei um exagero os irmãos Santanas ocuparem aquelas altas posições nas suas funções - um ca' Major e um ca' agente da PIR estaria de bom tamanho.

Falando em personagens, foi meio difícil pra mim de engolir que o General era irmão mais velho do Comandante por causa da aparência dos dois. E, aquele puto que representou o General quando criança, nada se parecia com sua versão adulta (a não ser que sofreu uma metamorfose), foi o que me pareceu.


O Comandante nos foi apresentado como um outsider, solitário que revive os traumas do passado, e por causa de tais eventos () ele tem dificuldades em lidar com a dura realidade dos factos. Exagera na pinga para afogar as mágoas e sua relação com o irmão mais velho não é das melhores.

É um personagem de fácil conexão (estou a me segurar para não usar a palavra cliché) a audiência consegue facilmente criar laços e sentir empatia. Mas, faltou consistência no desenvolvimento do personagem nesse aspecto, houve muitos desvios de carácter, mas é algo que se perdoa.

E tem o general que é simplesmente um irmão mais velho como todos os outros. Quando ele não está com a farda, nem dá pra sentir que estamos diante de um General.

E teve lá um agente que supostamente seria o personagem nerd/geek - aquilo lá foi um pecado autêntico - mas teve seu uso. E teve lá o rostinho bonito que… vou deixar para o final.


O ROTEIRO, MEU DEUS! O ROTEIROOOO!


O filme teria sido um bocado menos longo se o(s) diretor(es) cortasse algumas cenas desnecessárias que não acrescentaram nada no construto da história. Aliás, o filme todo nem teria acontecido por causa daquele plot twist no final, plot twist mal projetado, mas teve seu encanto.

O roteiro está cheio de furos e muitas pontas soltas, teve eventos que simplesmente não foram explicados e que, provavelmente, só aconteceram em benefício de algum estímulo visual. E claro, como se trata de um filme africano, foi mesmo necessário acrescentar elementos sobrenaturais para dar assim uma pitada de África na coisa (pfff). Ah pra não falar da hipersexualização e nudismo desnecessário. Parece que só foi pra isso que algumas mulheres tiveram espaço no enredo e foram selecionadas no cast - mostrar a bundinha de vez enquanto.


Sinceramente, o filme não soube aproveitar seu potencial e algumas das ideias não foram repensadas vezes sem conta até fazer algum sentido.

Tomara que tenhamos aprendido com a experiência e que num futuro as coisas tomem uma outra direção.


O filme está disponível na NETFLIX. Assistam por vocês, talvez a experiência compense.


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